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Consultório Turístico

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Asturias

10.05.19 | Damiana Sousa

Os dias que se começam a estender, envergonhados, fazem-nos querer regressar à estrada, a ambientes inesquecíveis, reenergizantes e tranquilos. A mim, remetem-me a uma bonita viagem às Astúrias

A estrada foi-se desenhando pelas planícies de Salamanca, onde, à boa maneira portuguesa, parámos para um farnel a dois. A viagem continuou à medida que deixávamos as planícies e nos apercebíamos da mudança subtil no relevo da paisagem: chegando a Leon, as montanhas recebiam-nos com a sua altivez.

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O percurso seguiu com destino a Oviedo, onde iríamos pernoitar.

Oviedo é a capital do Principado das Astúrias, constituído por um centro gótico medieval imperdível. Depois de acomodados no Hotel, seguimos a pé pelas ruas da cidade em direção ao centro histórico. As construções mais antigas traduzem-se pela sua singularidade medieval: casitas e telhados saídos de bandas desenhadas, vestígios pré-românicos e pormenores religiosos.

Antes de chegar à principal rua repleta de restaurantes e sidrerias (Gascona), deparamo-nos com a Fuente de Foncalada, mandada construir pelo Rei Afonso III das Astúrias, no século IX.

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Percorrendo a Calle Gascona fica difícil escolher um local de repasto, dada a variedade de oferta. Optámos pela sidreria El Pigüeña onde pudemos provar alguns dos pratos típicos da região. Não ficámos totalmente fãs dos pratos de enchidos, mas vale a pena experimentar!

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Na primeira foto Chorizo a la Sidra (chouriço fumado cozinhado em sidra), depois Fabada Asturiana (feijoada feita com fabes - que é um feijão branco típico da região -, e compango - toucinho, linguíça e chouriço), Cachopo (bife panado recheado com queijo e presunto ibérico) e para finalizar, um singelo pudim de chocolate guarnecido com natas e caramelo. A Sidra acompanhou a nossa refeição, sendo que é sempre servida por um dos empregados numa verdadeira arte (por curiosidade, podem consultar este vídeo aqui a título de exemplo).

No dia seguinte, partimos à descoberta de Oviedo antes de rumarmos aos Picos da Europa. O centro histórico de Oviedo é muito limpo, aconchegado e muito convidativo. A cidade conta com um história secular cujas marcas do passado brotam em cada canto; existem vestígios pré-históricos, marcas beneditinas, foi capital do Reino, testemunhou a Guerra Civil e é, hoje em dia, considerada uma verdadeira cidade cultural.

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O próximo destino, Picos da Europa, aguardava por nós e foi muito mais bonito e indescritível do que imaginara. Apesar do dia meio cinzento, os imponentes Picos que se iam desenhando a cada quilómetro de descoberta e o silêncio verdejante culminaram numa viagem fantástica. Infelizmente, não conseguimos visitar todo o Parque, mas ficámos com uma desculpa perfeita para regressar!

Entrámos no Parque Nacional dos Picos da Europa por Cangas de Onis, seguindo para Covadonga onde fizemos a nossa primeira paragem. Em Covadonga, Pelágio, Rei das Astúrias, no Verão de 722 conseguiu combater as investidas dos Mouros, tendo tido um papel fundamental na história da Reconquista.

Neste local, encontra-se um interessante Santuário, Santa Cueva, dedicado, exatamente, à vitória dos Cristãos sobre os Mouros. Este Santuário é numa gruta, localizado no interior do Monte Auseva, com uma cascata impressionante.

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Continuando o nosso percurso, a pé, chegamos bem alto, à Basílica de Santa María la Real de Covadonga, dedicada à padroeira das Asturias. Curiosamente, um casamento decorria no momento que visitávamos a Basílica, mostrando como pequenas povoações entaladas (quase inóspitas) no meio dos Picos da Europa mantém a sua importância na vida dos asturianos.

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Após a visita, seguimos, destemidos, por estradas (muito mais) adequadas a veículos de duas rodas. A paisagem é para ser saboreada, lentamente. Chegámos a Oseja de Sajambre para um descanso da vista, já ultrapassadas as nuvens de chuva. Em Oseja de Sajambre há alojamento, um pequeno museu rural e um local para tomar una copa.

 

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Despedimo-nos dos Picos da Europa, pois o tempo escasseava, pelo que seguimos para uma última paragem: Gijón.

Gijón é cidade, montanha e mar. Um casamento perfeito. Decidimos circular pela cidade e encontrar um sítio para jantar. Rendemo-nos à zona junto à Marina, entrando num restaurante bastante acolhedor e informal. E, sem muito mais a acrescentar, fica uma imagem do desfecho desta singela viagem pelas Asturias:

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O regresso a casa fez-se por meio de estradas de um Portugal rural magnífico, cuja história fica para um próximo post.

Boa viagem! :)

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