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Consultório Turístico

Um Blog de Técnicos para Técnicos e de Técnicos para Turistas. Tudo o que é preciso encontrar sobre Turismo, está aqui!

O que a viagem a Beja fez de mim

27.10.14 | Damiana Sousa

Nas viagens, como nos mais pequenos pormenores da vida, temos de ser nós a descobri-las para lhes dar valor, para apreciar a sua beleza. Não há muito tempo, terminei de ler um livro intenso do Gonçalo Cadilhe: "Um lugar dentro de nós". A narrativa tem pelo meio algumas lições de vida que as pessoas aprendem enquanto viajam, mas que eu ainda não tinha compreendido realmente. Não precisei de ir muito longe para perceber o que o autor queria dizer quando escreveu: Não importa onde te leva a viagem mas sim o que ela faz de ti.

Parti à descoberta do que eu sou na minha viagem a Beja. Não posso esconder como estava desinspirada para esta viagem... não ia por lazer, não me sentia motivada e muito menos com vontade de "ir à descoberta". Foram quatro dias de um retiro que fiz, quase involuntariamente, e que me marcaram, sem dúvida.

Não sei se foram os campos a perder de vista, o pôr do sol inesquecível, o cheiro a campo ou a genuidade do Alentejo. Há qualquer coisa de indescritível e indecifrável na pessoas que habitam esta região. A sensação que tive ao permanecer em Beja, é que os habitantes fazem-nos sentir que pertencemos ali, sem pertencer. São muito agarrados à sua identidade e têm orgulho em demonstrá-lo aos visitantes e ainda que nos queiram incluir nas suas tradições, seremos sempre quem "está de fora" e quem tem um sotaque completamente desenquadrado do alentejano.

Gostei das ruas cheias de gente, da animação, de ver tanta criança junta, dos mercados de rua e das rotinas que não morrem. O pão alentejano cativou-me, a par com a sopa de tomate à alentejana... já para não falar da inigualável sopa de cação que envolve o corpo numa mistura de sabores e sensações. As pupias foram uma óptima sobremesa e nao faltou o belo queijinho.

O que eu trouxe na bagagem foram decisões. Esta viagem fez de mim uma pessoa em busca de realizações, em busca de uma missão. Cheguei inspirada a mudar, a acreditar que sou capaz, a apostar nos meus sonhos, porque se podem tornar projectos reais. Foi uma escapadinha da realidade que me permitiu ponderar se já cheguei onde queria. Não cheguei. E fui a Beja descobrir isso. Fui descobrir-me a mim, pela viagem. Fui descobrir um lugar dentro de mim.

 

 

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5 Locais que o Consultório Recomenda

09.10.14 | Damiana Sousa

A beleza das coisas é sempre relativa para quem vê, para quem visita, para quem observa. Hoje o post do Consultório traz-lhe uma perspectiva da "Doutora dos Turistas" sobre locais que já visitei. São sítios que de uma forma ou outra me impressionaram pela sua simplicidade ou beleza. Confira os 5 locais que o Consultório recomenda não perder:

 

Régua:

A minha primeira passagem pela Régua deveu-se a motivos profissionais. Na altura em que andava à procura de emprego, percorri alguns quilómetros por este Portugal fora, mas a paisagem que a Régua me proporcionou foi das mais inesquecíveis. Sou uma apaixonada assumida do Douro Vinhateiro, com os seus socalcos perfeitamente construídos sobres os vales do rio.

Na cidade, existe um património edificado muito rico, que conta a história da Régua; destacam-se a Igreja Matriz (séc. XVIII), a Capela do Cruzeiro (séc. XVIII), Cruzeiro do Senhor da Agonia, a Capela das Sete Esquinas (séc. XVIII), Casa Vaz (séc. XVIII), Casa do Dispensário (séc. XVIII), Capela do Asilo, assim como a casa da Real Companhia Velha, antiga sede da Real Companhia das Vinhas do Alto Douro, actual sede do Museu do Douro. Uma pequena visita à Estação da Régua não deve ser esquecida, onde o primeiro comboio chegou no dia 14 de Julho de 1879.

 

 

Serra do Caramulo:

Porque estar lá em cima e poder ver tanta coisa dá-me uma sensação revitalizadora. Quase que chego a pensar que consigo ver Portugal Continental de uma ponta à outra: Vale de Besteiros, cidades, vilas, aldeias, a vizinha Serra da Estrela, o Farol da Praia da Barra, em Aveiro, a Serra da Lapa e a de Montemuro. Depois, há o ar puríssimo que caracteriza a Serra do Caramulo.

 

Aldeia da Pena

Ainda que tenha uma costela assumidamente citadina, gosto de deambular por locais mais ou menos desertos, que me fazem pensar na história que está por detrás de cada esquina. Que pessoas andaram por ali, que sentimentos se viveram, que sonhos é que as pessoas tiveram... Desafio também a subir à Serra de São Macário, o sítio onde eu descobri realmente a ouvir o silêncio.

Grutas de Mira D'aire

Sempre que recordo este local, associo a uma magia e misticismo inexplicável. São as maiores de Portugal e contemplam a lista das 7 Maravilhas Naturais do país. Em  2007, após uma expedição da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, foi acrescentado mais de 1Km de novas galerias que se dirigem ao interior do Planalto de S. Mamede ao traçado total da Gruta.

 

 Sobral de Monte Agraço

É uma pequena grande Vila, tão perto da cidade de Lisboa, mas que mantém a sua traça tão típica do Oeste. O seu Centro Histórico vive em perfeita harmonia com os testemunhos patrimoniais do passado e com a evolução que os tempos modernos obrigam. Para além do Núcleo Museológico do Vinho, tem, ainda, um importante Centro Interpretativo das Linhas de Torres. O "ar arrumadinho" de Sobral de Monte Agraço desafia-nos a sermos demorados na visita; é com facilidade que nos sentimos parte da Vila enquanto percorremos as suas ruas.

Boa viagem!

 

 

 

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